Letra de Médico, até quando?

Que letra de médico é feia todo mundo sabe. Agora de onde vem essa tradição da classe médica? Tradição essa que eu, particularmente, acho que já deveria ter sido abolida por não ter nenhuma utilidade e só causar prejuízos. E se tratando de saúde, qualquer descuido pode ser fatal.

Essa é uma daquelas perguntas do tipo “muito se especula, pouco se conhece e nada se conclui”. Então vou logo adiantando àqueles que esperam uma resposta definitiva para ela: não existe nenhum estudo conclusivo da origem exata dessa tradição, se era isso que você esperava, sinto muito, pode parar de ler esse texto agora.

O que se sabe é que existem várias “teorias” que tentam explicar como surgiu essa marca registrada dos médicos. O mais plausível é que todas elas tenham um fundo de verdade e que vários fatores contribuíram ao longo dos anos para a consolidação dessa tradição.

Abaixo estão listadas as possíveis origens da escrita ilegível dos homens-de-branco:

  • No passado era preciso escrever fórmulas farmacêuticas extensas com caneta bico-de-pena em papéis de baixa qualidade que não absorviam bem a tinta;
  • Evitar que pessoas leigas leiam a receita;
  • Criar uma “marca registrada” para a classe médica;
  • Perpetuar a tradição, seguindo a moda;
  • Durante a faculadade de medicina, como os alunos são exigidos a escrever muito rápido para acompanhar as aulas, acabam se acostumando com a letra desleixada.

Como é um enigma ainda sem solução, existem outros fatores que podem ter dado origem ao fato, mas que não convém lista-los aqui. Ademais, esses são os principais e mais prováveis.

Algumas justificativas podem parecer absurdas. Como tentar impedir que o paciente leigo leia sua própria receita. No entanto, infelizmente, é comum encontrar médicos que compartilham desse pensamento. Que aliás, é fortemente desaconselhado pelo próprio Conselho Federal de Medicina.

Das justificativas acima eu, como estudante de medicina, compartilho apenas com a de que precisamos nos acostumar a escrever muito rápido. Isso é bem verdade, visto que as aulas do curso médico são muito corridas e geralmente com diversos termos técnicos novos a cada aula. Embora pense que esse vicio adquirido na faculdade não deva ser levado para a vida profissional.

Uma letra clara e legível é de suma importância quando se trata do receituário médico. O que é mais importante para o ser humano senão sua saúde? Uma receita escrita de forma que possa vir a gerar confusão é uma ameaça à saúde pública que pode causar conseqüências bastante desagradáveis, inclusive para o médico.

Até mesmo profissionais de saúde acostumados com esse tipo de prática, como farmacêuticos e enfermeiros, podem se confundir e trocar a medicação prescrita ou sua dose. Criando assim um problema sério.

Aqui vai um conselho. Se você receber uma receita que esteja difícil de ler, retorne ao seu médico e peça-o que explique todos os dados da receita. Sempre antes de sair da consulta revise com o médico os medicamentos prescritos, as doses e horários estabelecidos.

O médico, como qualquer outro prestador de serviços, também está sujeito as leis de defesa do consumidor. Portanto se você também é estudante de medicina e pretende perpetuar esse mal-costume é bom ficar avisado. Essa prática só traz incômodos tanto para o paciente quanto para o médico.

Então diante do exposto fica o aviso, médicos: vamos procurar evitar tal prática; para os pacientes: nunca comprem medicamentos se houver dúvida quanto a receita médica, evite por sua saúde em risco.

9 Comentários até agora »

  1. Carol Mello disse

    am August 28 2007 @ 10:29 pm

    Gostei do tema =]
    Acho que nunca vai ter mesmo uma explicação pro começo desse “vicio” dos médicos..;S

    Bjo

  2. Eugênia disse

    am August 28 2007 @ 10:42 pm

    Coloque o nome do autor do artigo…

  3. Cíntia Nunes disse

    am August 28 2007 @ 10:50 pm

    Eu já fui a um dermatologista que digitava e imprimia a receita. Era um pouco engraçado, porque ele “catava milho” no teclado. Mas coisa muito atenciosa da parte dele. :D

  4. Daniel Hortiz disse

    am August 28 2007 @ 11:12 pm

    Cíntia, essa é uma forma bem interessante de driblar o vício de escrita. Muitos médicos realmente estão informatizando seus consultórios e preferindo usar a receita impressa.
    Muito bem lembrado. =)

  5. Raphael disse

    am August 28 2007 @ 11:35 pm

    ” O que é mais importante para o ser humano senão sua saúde? ”

    Sexo. De que vale a saúde sem sexo?!

  6. Mytho disse

    am August 29 2007 @ 1:27 pm

    ainda mais intrigante do que “pq os médicos escrevem com essa letra?” é “como os farmacêuticos sempre conseguem entender a letra dos médicos?” ;)

    Eu concordo que o motivo principal é o fato de os estudantes terem que escrever rápido.

    Eu tenho “letra de médico” e não sou nem médico e nem estudante (embora o meu pai seja), mas na escola era forçado a escrever muito rápido (e também chegava a fazer competição com meus colegas pra ver quem acabava de escrever primeiro), e hoje em dia saiu essa desgraça… ainda bem que meu trabalho é com computadores, e raramente pego numa caneta..

    Abraço!

  7. Daniel Hortiz disse

    am August 29 2007 @ 3:25 pm

    É verdade Mytho, uma das possíveis explicações também pode ser essa. Nem todo mundo tem a letra bonita, aliás, a maioria das pessoas não tem a letra bonita. Então isso inclui os médicos também. Na verdade a origem da “letra de médico” está na união de todos esses fatores.
    Obrigado pelo comentário =)

  8. Sergio Grigoletto disse

    am September 11 2007 @ 1:03 am

    A explicação que tem mais sentido, é o hábito (pela necessidde) de escrever rápido em sala de aula. Deixar desse hábito depois, não é tão simples. Alías, como qualquer hábito que adquirimos.
    E já presenciei farmaceuticos ligarem para o médico tirando dúvidas sobre a receita, para não incorrerem em erro, na venda do remédio.

  9. Felipe disse

    am September 23 2007 @ 12:17 am

    Eu acho que a teoria mais provável para esse tipo de comportmanto, seria para que as pessoas leigas não compreendam o que está escrito na sua própria receita, e surgindo assim um tipo de entendimento, Médico/farmaceutico, Assim como um dia em que fui “medir a pressão”, o médico se negou a me dizer se estava boa ou ruim, como se não fosse de meu interesse saber, e logo a resposta, porque você quer saber, você é médico?, então logo compreendi!.

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