Medidas tomadas pela UFCG revoltam estudantes
De acordo com o novo edital de monitoria que entrou em vigor dia 10 de março de 2009, os alunos na UFCG estão impedidos de participarem de mais de um programa institucional simultaneamente. O que pode parecer na teoria uma maneira justa de redistribuição de oportunidades (o que não funciona na prática, já que sobram vagas para monitores) na verdade funciona como uma maneira de limitar a produção científica da instituição de ensino, fazendo com que os discentes acomodem-se na busca de conhecimentos e fiquem restritos ao que lhes é transmitido em sala de aula. No caso dos estudantes de medicina, essa medida é ainda mais injusta, já que é de conhecimento de todos que na maioria das residências do país, 10% da prova corresponde ao currículo do candidato submetido ao processo de seleção. Além da lei federal que não permite os estudantes de exercerem estágios hospitalares extracurriculares, esse tipo de proibição vem para reduzir de uma vez por todas qualquer possibilidade de crescimento profissional. Um bom médico será aquele que for capaz de produzir cientificamente, de transpor o que foi aprendido na teoria para a prática e claro, aquele que souber tratar seu paciente de maneira humana. E como isso será conseguido se a própria Universidade, que deveria estimular projetos e programas institucionais, faz questão abolir as chances dos estudantes?
A força contrária a essas medidas também é grande: o movimento estudantil. Porém, nos últimos anos poucos, a comodidade tem prevalecido. Aqueles que buscam questionar o sistema de ensino e suas regras, logo vistos como “do contra” e tachados de brigões. O receio e o conformismo estão fazendo com que uma das classes mais importantes do país tenha sua voz reprimida e seus direitos submetidos a opiniões unilaterais e teoricamente inquestionáveis. Deixo aqui os seguintes questionamentos: até quando vamos aceitar o que não concordamos? Até quando vamos baixar a cabeça e fingir que tudo está bem, quando o que mais queremos é lutar pelos nossos direitos? Até que ponto o medo da exposição e da derrota irá nos limitar? Essas são perguntas que somente a nossa vontade e coragem irão responder.
Camila Queiroz Leite de Lima























